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Del Valle descarta seu principal patrimônio / ativo visual – Alinhamento Global, Cores, Semiótica e Estratégia

Logo após a The Coca-Cola Company ter adquirido a sucos Del Valle, fiquei curioso para ver como eles iriam trabalhar as marcas de sucos no Brasil, já que anteriormente ela tinha comprado a Suco Mais.

Em 2009, a Minute Maid também pertencente à gigante, lançou suas novas embalagens e, junto com elas um estudo com o alinhamento global das suas marcas de suco.

Achei interessante, mas tinha quase certeza que jamais seria implantado, pelo menos aqui no Brasil, na marca Del Valle.

E, eu estava completamente errado pois em Dezembro de 2010, vou ao supermercado e me assusto com as novas Embalagens da Del Valle.

A Embalagem é bonita, muito melhor que a anterior, mas na minha opinião é equivocada… “Deixou de ser Del Valle”.

Lembremos que, quando a mexicana Del Valle, aportou no Brasil ela não teve apoio de propaganda na TV, teve sua estratégia de comunicação pautada na qualidade dos produtos e no Design de Embalagem.

Antes de chegar oficialmente no Brasil, cada sabor tinha uma cor.

A estratégia de Design adotada para o lançamento no Brasil, foi a padronização das cores, criando um  Paredão Vermelho nas Gôndolas. Estratégia que se confirmou vencedora, já que trouxe bons resultados e a matriz mexicana decidiu adotar esse padrão globalmente.

Mudando um pouco de categoria, recentemente a Ambev processou a Cervejaria Petrópolis pelo uso do vermelho… E a Del Valle, aparentemente não deu importância a esse ativo visual, que ela conquistou há muito mais tempo…

Acredito que os profissionais envolvidos nesse projeto da Del Valle, entendam muito mais de estratégia do que eu. Mas, na minha opinião, essa decisão é equivocada e poderá causar perda de market share.

Se fosse na terra do tio Sam, com certeza aconteceria o mesmo que aconteceu com a Tropicana (Veja Aqui).

Quem já teve oportunidade de trabalhar em um projeto de Alimento Global, sabe que em muitos casos não tem o que se fazer, a não ser acatar uma decisão – “Top Down” – que em muitos casos, se mostra míope.

Em uma rápida análise semiótica é fácil identificar que o signo  mais importante da Embalagem é o Vermelho.

O vermelho nesse caso, não agrega significado à marca, mas ele é o indicador, o sinalizador, o identificador da presença da marca nas Gôndolas. Pode até ser considerado o repositório ou receptáculo dos significados agregados à marca.

Se você puder observar no P.D.V  -  é importante fazer esse exercício – fique ali na categoria de sucos observando as pessoas e vai perceber a confusão que essa mudança está causando.

Resumindo, a Del Valle conseguiu uma coisa que muitas marcas querem, mas poucas conseguem, que é agregar um signo – a cor vermelha – ao Patrimônio/Ativo Visual da Marca, ser “dona” de uma cor e aparentemente descartou essa conquista…

Agora ela corre o risco de não ser mais percebida como “Del Valle”

Semiótica e Gestalt aplicadas em um Logo

Na minha opinião um bom Logo é aquele que não precisa de explicação. Um belo exemplo de Semiótica e Gestalt aplicadas em um logo.

Link:

Pentagram

Bic ou Duracell – Me too, é estratégia?

Uma das estratégias (se é que pode ser considerada uma estratégia) mais utilizadas, no design de embalagem  é o me too, que basicamente é “copiar” o concorrente de uma maneira “diferenciada”.

A Bic, acaba de entrar no seguimento de pilhas.

Quando vi as pilhas e as embalagens, logo lembrei da Duracell, eu como chato de galocha fui conferir as pilhas e as embalagens da Duracell, para fazer um comparativo,  no meu ponto de vista existe uma boa diferenciação entre as duas.

Mas por que, eu lembrei da Duracell, Awareness? Recall?

Isso acontece por causa da famosa “Gestalt” que diz – “A percepção se dá pelo todo e, não pela soma das partes” – elas possuem estrutura gráfica e cores ( preto e o laranja que remete ao dourado ) semelhantes.

Acredito que a Procter (Duracell) irá entrar com algum tipo de ação. Por outro lado, a Bic, no meu ponto de vista, não pode ser acusada de ter “plagiado” –  já que eles utilizaram  suas cores corporativas.

Link:

Mundo do Marketing

Qual é a importância da linguagem visual da categoria?

Ninguém gosta de ser rotulado, mas faz parte da natureza humana rotular, classificar, categorizar ou seja encaixar o objeto* em algum padrão já conhecido.

Normalmente quando não conseguimos fazer isso, o objeto* nos causa um certo tipo de inquietação, que faz com que algumas pessoas o ignorem por não compreendê-lo e, outras que pelo mesmo motivo buscam conhecê-lo melhor.

Uma das premissas básicas do design de embalagem é estudar e compreender a categoria/subcategoria em que o produto compete, para evitar que o consumidor confunda seu produto com algo que ele não é,  ou ainda pior,  ele não ser considerado na hora da compra de um produto da categoria em que ele compete. Por esse motivo, não vemos abordagens realmente inovadoras em quase nenhuma categoria de produtos, o medo de perder market share, muito $$$ e consequentemente seu emprego, ou uma mancha em sua carreira, justifica o conservadorismo.

Quando visitamos um supermercado essa “categorização” fica evidente e, conseguimos identificar a “gôndola de biscoitos” a “gôndola de detergentes” e assim por diante. Embora o design de embalagem seja gerido por profissionais competentes em conjunto com escritórios de design igualmente competentes, o que vemos é uma grande “mesmice” de linguagens visuais.

Quando um dos players faz uma pequena mudança, que mexe um pouco com as regras da competição é natural uma reação. em que os outros players o acompanhem (copiem). Costumo dizer que existe uma retroalimentação dos produtos e de suas respectivas linguagens visuais.

Em muitas categorias de produtos, se “pegarmos” todos os players e “fizermos” um “mash-up com as embalagens, trocando apenas as logomarcas** , tenho certeza, que muitos consumidores não notariam a diferença.

É raro encontrar marcas que conseguiram construir uma identidade diferenciada, reconhecível e indissociável. Eu, de forma amadora costumo acompanhar quando encontro uma marca com essas características e, percebo que elas colhem os frutos do sucesso por essa coragem de ser únicas.

Mas quero deixar claro, que esse sucesso não é apenas por causa do design, identidade visual ou comunicação diferenciados.

O design, a identidade visual e a comnunicação são consequência de um produto(s) com qualidade(s) diferenciada(s), além da própria gestão da empresa. Lembrando que, nós, não separamos o produto do seu design/identidade visual, eles formam uma única entidade.

Para exemplificar, vou utilizar a marca Diletto, uma marca italiana de sorvetes criada pelo Sr. Vittorio Meneghini Scabin, que foi ressuscitada pelos netos e lançada no Brasil provavelmente no ano passado.

Sua Identidade Visual não está inserida na Linguagem Visual da categoria de sorvetes nem mesmo na subcategoria de sorvetes premium.

Ela possui uma Identidade Visual proprietária, ela não faz referência e nem utiliza nenhum signo que a insira na catergoria de sorvetes.

Por outro lado ela utiliza como signo a imagem de um urso polar, que faz referência direta a algo gelado.

Analisando de forma semiótica, temos um conceito bem interessante. O urso polar, apesar de não ser um animal muito amigável (ele é carnívoro, e vê o homem como presa), quando representado por uma ilustração ele acaba se transformando em um signo de carinho, “gostosura” e “fofura”, resumindo, se eu fosse mulher dirira:

- Você olha o ursinho e, fica com vontade de morder.

Sua cor branca é consequentemente, interpretada como pureza, por ser um branco levemente amarelado, a ilustração fica mais gostosa e “aconchegante”.

A primeira vez que comprei um Diletto, o que estava na moda era o sorvete coreano melona. Confesso, comprei meu primeiro Diletto por causa da embalagem que me encantou, a qualidade do produto confirmou, reforçou e potencializou o que a embalagem comunicou.

Eu acho a identidade visual e o design das embalagens da Diletto, único e sofisticado, mas como disse anteriormente eles são consequências e reflexo de toda uma preocupação e cuidado com a qualidade diferenciada do produto.

Essa preocupação faz dessa marca com aproximadamente 1 ano de Brasil, um sucesso, procurei críticas negativas na “rede mundial de computers” e, não encontrei. Só encontrei opiniões positivas a seu respeito, e, olha que é um produto caro (já encontrei por R$4 e por R$8) se comparado com outros sorvetes. Mas como disse, apesar de ser um sorvete ele não é percebido como um sorvete ele é percebido como um Diletto.

Para entender melhor isso, faça uma rápida busca na “interwebs” ou observe as pessoas.

Normalmente, elas dizem:  - Vou comprar um picolé de limão ou, eu adoro picolé de limão, raramente citam a marca do produto.

No caso da Diletto, as pessoas dizem: – Hoje é dia de um Diletto de Limão Siciliano ou, amo o Diletto de Framboesa, resumindo e repetindo, o picolé da Diletto não é reconhecido como picolé é reconhecido como Diletto.

Embora eu não ganhe 1 centavo por isso, fico feliz e inspirado, quando vejo uma marca realmente diferenciada fazer sucesso.

Isso reforça minha teoria, que não devemos fazer o que o cliente pede e quer, devemos buscar a excelência naquilo que fazemos, para o cliente pedir e querer.

ps: Parece que eles estão lançando a versão em massa \ o /

*objeto = qualquer coisa a que fazemos referência, seja ela concreta ou abstrata.

**logomarca = para os designers fundamentalistas e talibãs, me errem.

Links:

Diletto

Pequenas Empresas Grandes Negócios

Seriados, Modernismo, Simplicidade e Minimalismo

Um dos conceitos que eu mais gosto de ver em trabalhos, é o do minimalismo, porque são poucos os que conseguem fazer bons trabalhos. Um trabalho minimalista exige, uma capacidade de síntese muito grande.

Esses cartazes conceitos desenhados por um artista gráfico que se auto-intitula Exergian, é um bom exemplo disso. Ele de forma muito competente conseguiu sintetizar cada um dos seriados, praticamente com 1 elemento gráfico.

Eu achei as peças lindas.

Links:

MyPix

Cherryplus

Exergian

Desenhar com comida – Sydney International Food Festival – Flags – Semiótica e Gestalt Aplicadas

Boas idéias são sempre bem-vindas. Estes anúncios criados pela TBWA para o Sydney Internationl Food Festival, são simples e diretos.

Exemplo de semiótica e gestalt bem aplicada. Uma rápida análise:

Os ingredientes exercem o papel de índice onde fica claro a indicação de comida, além de indicar a origem da comida.

A bandeira é o símbolo visual mais forte e representativo de qualquer nação.

A maneira organizada de posicionar e escolher cada ingrediente com a intenção, de formar o desenho da bandeira de cada país é um bom exemplo de gestalt, que além de reforçar o produto do festival que é a comida típica de cada país, cria uma atmosfera fun, deixando bem explícito o prazer da arte gastronômica.

ps: Será que eles buscaram inspiração no Vik Muniz?

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Link:

Ads of the world