Arquivo da categoria: Comportamento do Consumidor

Qual é o papel do Design de Embalagem, para a percepção de um produto?

Acredito que ninguém escolhe ou compra um produto eletrônico por causa do Design de Embalagem. Nesse caso o Design de Embalagem tem outras funções:

- Ajudar na construção do Brand Equity.

- Ser a entidade responsável pela entrega.

- E, mais recentemente ele é o responsável pela experiência do Unboxing.

Nosso MegaMaster Tio Jobs, sabe disso!

Quando você compra um computador qualquer a primeira experiência que você tem é de confusão, tentando entender qual é o próximo passo para começar a utilizá-lo. Em cada passo a sensação que se tem é de vitória, porque cada passo é uma batalha a ser superada.

Quando você compra algo da Apple as sensações são outras, primeiro você fica espantado e, encantado com o cuidado que o produto é tratado e segundo, a forma que os produtos estão embalados e dispostos fazem você praticamente apenas precisar ligar o computador na tomada.

Essa atenção às sutilezas e detalhes fazem uma grande diferença. O Bom  Design de Embalagem não pode fazer falsas promessas. Mas, ele tem obrigação de refletir, todo o cuidado que foi necessário para o desenvolvimento daquele produto.

Uma boa empresa, muitas vezes não tem um Bom Design.

Um Bom Design, sempre é o reflexo de uma boa empresa.

Abaixo imagens de dois produtos concorrentes. Qual você acha melhor?

Imagens via:

www.lovelypackage.com

www.thedieline.com

Observando o comportamento…

Observar o comportamento pode render idéias simples e geniais…

Como essa da Designer Giorgia Grazidei:

Augmented Reality | Realidade Aumentada – A embalagem como mídia integradora

Quando vi esse termo pela primeira vez, não dei muita atenção mas, nas últimas semanas tenho visto muitos artigos, posts e tweets sobre o assunto, então resolvi buscar um pouco mais de informação para compreender essa tal de augmented reality | realidade aumentada.

No começo achei tudo muito futurístico e fantasioso, mas quando comecei a compreender a tecnologia e suas possibilidades meu cerébro quase explodiu só de pensar na quantidade de coisas e mudanças que essa tecnologia pode trazer.

Me lembro de quando o second life surgiu, houve uma supervalorização, que acabou não se confirmando, diferentemente do second life e de muitas redes sociais, com a augmented reality | realidade aumentada, as pessoas não entram no mundo virtual o mundo virtual entra na vida real.

A tecnologia ainda está engatinhando mas, arrisco dizer:  

- Essa tecnologia trará mudanças comportamentais maiores do que a internet.

Algumas possibilidades:

Se dermos uma volta por são paulo e pegarmos todos os folhetos de imóveis, não é exagero falar que teremos mais de 0,5 kg de papel. Com essa tecnologia em vez desses folhetos que muitas vezes são volumosos, receberíamos apenas cartões em que poderíamos ter toda informação e ainda fazer um tour virtual no imóvel decorado (Acompanhado ou não de um personagem ou pessoa virtual). As construtoras economizariam dinheiro e papel, muito papel consequentemente teríamos as ruas mais limpas.

A publicidade em revistas, usaria a tecnologia de dados variáveis cruzando com os dados pessoais do assinante, assim teríamos anúncios segmentados e personalizados.

As pessoas fazem o que sentem e falam o que pensam. Normalmente o sentimento vem antes da razão e como diz meu amigo e professor Paulo Carramenha:

- “Atributos emocionais geram o desejo de compra, atributos racionais justificam a compra”.

Esse é um viéis que as pesquisas feitas através de questionários ou entrevistas enfrentam. É automático, ao responder um questionário ou ser entrevistado ligamos o nosso racional e, em muitos casos pensamos numa coisa e fazemos outra. Mas com a augmented reality | realidade aumentada, as entrevistas poderiam ser feitas por um personagem, construído com uma série de características agradáveis, que deixaria as pessoas mais a vontade e relaxadas consequentemente menos racionais. Isso é apenas uma especulação, mas o futuro dirá se meu pensamento está correto.

Em embalagens as possibilidades são infinitas.

Meu amigo e mestre Fábio Mestriner, escreveu artigos e deu seminários sobre a integração da embalagem com a internet, mais uma vez o tempo confirma mais uma das suas idéias. Evoluindo um pouco essa idéia, as Marcas que conseguirem integrar a Embalagem com a Augmented Reality | Realidade Aumentada, terão uma grande ferramenta de Branding.

Vou falar um pouco das idéias que tive.

Você compra um hidratante, aponta a embalagem para seu Celular/PDA/Smaphone, sua webcam ou espelho (acredito que num futuro próximo) e aparece um (a) personagem ou até mesmo um ator/atriz e te dá dicas de hidratação e de como massagear a pele.

Você está de dieta, vai ao supermercado pega uma embalagem de alimento qualquer, aponta para o seu Celular/PDA/Smaphone ou para algum dispositivo que o supermecado ofereça, você recebe todos os dados nutricionais, dicas de nutrição/saúde e até como combinar, com outro produto. Chega em casa e aponta a embalagem para qualquer outro dispositivo com a tecnologia e recebe as dicas de prepararo, que podem ser apenas escritas ou faladas por um personagem ou ator/atriz.

As possibilidades são infinitas. Além disso vai trazer mudanças para o Design de Embalagem.

Os designers não precisarão mais se preocupar com os textos legais, toda informação poderá ser acessada através da augmented reality | realidade aumentada.

Ela também vai abrir um grande mercado para os ilustradores e animadores que terão que criar cada vez mais personagens exclusivos.

No Brasil a Pepsico saiu na frente com o lançamento de um novo sabor de Doritos, o Sweet Chili. Não resisiti e fui ao supermercado comprar o Doritos. Testei, e posso dizer que a experiência é sensacional.

doritoslovers2

Links:

EmbalagemMarca

Brainstorm9

Mais sobre augmented reality | realidade aumentada:

Brainstorm9

G1

Comunicadores

Caligraffiti

Less is more | Menos é mais – Teoria aplicada na embalagem

O conceito less is more | menos é mais, é um dos conceitos mais difíceis de ser aplicado, exige uma habilidade, um grau de refinamento e repertório visual que poucos possuem.

Um bom exemplo disso são os trabalhos all type, para as pessoas com menos repertório e cultura visual parece simples, mas quem já teve a oportunidade de fazer experimentos ou trabalhos com esse conceito, sabe o quanto é demorado e cansativo chegar a um resultado satisfatório. Para os que tem um bom repertório e cultura visual é fácil distinguir um trabalho feito com cuidado/refinamento e outro feito nasco*, o engraçado é que se você mostrar um trabalho bem feito para um leigo e depois mostrar um feito nasco* ele praticamente não vai notar as diferenças, mas se você colocar os dois juntos e perguntar, qual ele mais gosta é quase certeza que ele escolherá o trabalho bem feito, mesmo não sabendo o porquê.

Eu defendo que o bom Design de Embalagem é aquele que consegue traduzir o conceito do produto e da marca.

Essa idéia é confirmanda com uma pesquisa, realizada pelo comitê de estudos estratégicos da ABRE (Associação Brasileira de Embalagem) em parceria com a Research International, os consumidores (pessoas) não separam o **produto da embalagem, eles percebem o **produto e a embalagem como uma única entidade.

Um bom exemplo disso, é o novo produto da Haagen Dazs, o Five Ice cream, o conceito é utilizar apenas 5 ingredientes para a fabricação do sorvete que faz, com que o produto tenha muito menos aditivos artificiais, deixando-o mais “natural”, que é uma tendência de consumo.

O Design das embalagens está excelente, como a maioria das embalagens da Haagen Dazs. Ela preserva a arquitetura da marca e com um layout clean e refinado consegue traduzir com excelência o conceito do novo produto além, de fortalecer o Brand Equity da marca.

* Expressão para “nas coxas” que significa ser feito por pessoas não capacitadas ou ser feito de qualquer jeito, sem cuidado.

•• Não se aplica aos produto de linha branca ex: microondas, geladeira, … .

Simplicidade é a complexidade revolvida. “Constatim Brancusi | Escultor Romeno – retirado do livro A cabeça de Steve Jobs”.

Links:

Haagen Daz Five

Springwise

Know or ever

A importância da Semiótica para o Design de Embalagem.

Tempos atrás eu havia escrito um post (link), elogiando o redesign da embalagem do suco Tropicana. Fiquei encantado com a idéia da tampinha.

Eu trabalho com o conceito, de que, quem decide o que é,  ou não é um bom design é o consumidor. Algumas semanas atrás uma notícia bombardeou o mercado: – Foi a decisão da Pepsico retornar ao antigo layout do suco Tropicana. O Consumidor não aceitou a mudança.

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Como sou um apaixonado estudioso da relação entre as marcas e as pessoas, resolvi me aprofundar um pouco no assunto e cheguei em algumas conclusões.

A marca Tropicana é uma marca muito forte, que tem como ícones o seu logotipo e a laranja com o canudinho, o redesign mudou justamente dois signos que representavam a marca, e o consumidor não assimilou e nem aceitou essas mudanças. Eu particularmente sou contra o uso de pesquisas para a tomada de decisões, acredito que a pesquisa deve ter a finalidade orientativa e, fico pensando será que,  para o lançamento desse redesign não fizeram pesquisas? E se fizeram elas não indicaram a importância desses signos?

Esse caso me fez lembrar o da new coke, para quem não conhece, foram feitas algumas pesquisas, para a mudança de sabor da coca-cola e em todas as pesquisas o novo sabor tinha sido aprovado, elogiado e muitos disseram que o sabor era bem melhor do que o da coca-cola original. Não havia dúvidas sobre o lançamento da coca-cola com seu novo sabor. Mas quando foi lançada a New Coke, ela foi imediatamente rejeitada pelo consumidor. O consumidor não aceitou a mudança de sabor da sua Coca-Cola.

Entender o consumidor e sua relação com as Marcas é essencial para o desenvolvimento do bom Design de Embalagem e, como já disse em outros posts, a semiótica é uma das ferramentas mais importantes para a compreensão desta relação. Mas cuidado a semiótica não é uma ciência exata, ela abre possibilidades e, é aí que entra o nosso conhecimento tácito para saber tirar o melhor dessas possibilidades.

Links:

Advertising Age

Advertising Age 2

The New York Times

Packaging Digest 1

Packaging Digest 2

Redesign:Related

Astuteo

Brandchannel

The Dieline

BrandPackaging

Moda ou tendência? Nova identidade visual da Kraft Foods

Quando eu leio algo com o título de  ”Design Trends” ou tendências de Design,  fico um pouco incomodado. Eu não concordo, que existam tendências para o design eu acredito que existam linguagens, que muitas vezes se tornam referência para determinados segmentos ou categorias.

Acabo de ler via RSS, sobre a mudança da identidade visual da Kraft Foods, marca global de alimentos que tem sob seu guarda-chuva marcas como Royal, Trakinas, Lacta, Club Social entre outras. Lembram sobre a polêmica em torno da mudança da identidade visual da Pepsi? A nova identidade Visual da Kraft, também faz referência a um sorriso.

kraft_foods_logo

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Vejo o Design como uma ferramenta para auxiliar as empresas e suas marcas a construir, manter e fortalecer seus relacionamentos. O Design da Marca é a imagem pública da empresa. Por isso não acredito em tendências de Design. Mas acredito que para realizarmos um bom trabalho devemos estar atentos às tendências de comportamento e de consumo, para compreendermos um pouco melhor as necessidades e os desejos atuais. A marca não é o que a empresa diz que ela é, a marca é o que os consumidores dizem que ela é.

Se compararmos as novas identidades visuais da Pepsi e da Kraft Foods, embora as duas utilizem o conceito do sorriso, graficamente são bem diferentes. A tendência não é de Design, e sim de comportamento, consumo e relação marca x consumidor. As empresas não querem mais se apresentar de forma impositiva e pesada, elas querem se mostrar mais amigas e próximas.

Esse redesenho é um belo exemplo disso. Gostei da nova identidade, tem um trabalho minucioso de espaçamento e, todos os elementos estão hierarquirizados e harmonizados.

Links:

Kraft Foods

NitroGroup

BrandNew

BrandWeek

Meio Mensagem

Mundo Marketing

É possível prever o comportamento do consumidor?

Eu acredito que não. O máximo que podemos fazer é buscar informações em todos os meios e analisar os trabalhos realizados pelos institutos de pesquisa e tendências.

Cruzar todas essas informações e utilizar o nosso conhecimento tácito para elaborar e planejar estratégias de novos produtos, serviços e comunicação.

O IBOPE colocou no ar um hotsite com o título o consumidor do século XXI, que está muito interessante.

http://www.ibope.com/consumidor/